Como montar um estúdio de desenvolvimento de games: Parte 2 – Mercado de Games

Como montar um estúdio de desenvolvimento de games: Parte 2 – Mercado de Games

De 2005 a 2012 o mercado foi dominado pelas grandes plataformas de consoles como Xbox, Playstation e Nintendo, que permitiram o desenvolvimento de jogos muito complexos e com orçamentos restritivos à nascente indústria brasileira de jogos

Os modelos de comercialização não permitiam a inserção das pequenas empresas nacionais, restringindo-se a grandes companhias americanas e japonesas. A partir de 2010, com a maior facilidade de distribuição e de desenvolvimento, com jogos em mobile (como smartphones e tablets) e web, o cenário do mercado de games mudou favoravelmente.

Dados da Newzoo

Segundo a Newzoo (2016), o mercado mundial de consoles responde por 31% com crescimento 2,2% ao ano; os jogos para PC representam 32% e crescem 2,1% ao ano; o mobile é o maior interesse dos consumidores, com 37% e crescimento anual de 21,3%. A previsão é que o mercado mundial cresça de quase US$ 100 bilhões em 2016 para mais de US$ 118 bilhões em 2019, e as plataformas mobiles representando 46%.

Dados do BNDES

Segundo estudo do BNDES (2014), há cerca de 200 empresas formalizadas no mercado de games, com faturamento médio de 75% delas até R$ 240 mil, 21% delas entre R$ 240 mil e R$ 2,4 milhões. Apenas 4% superaram os R$ 2,4 milhões. Outro dado relevante é que 96% das empresas exportavam, sendo que 75% delas o faziam continuamente e 25% eventualmente, e 70% das receitas foram provenientes de exportação. O que facilita a exportação é a internet e a possibilidade de se disponibilizar os jogos em distintas plataformas e lojas digitais, em qualquer lugar do mundo. A questão de idioma é relativamente fácil de ser solucionada no desenvolvimento do game. Segundo levantamento do Portal Exame, a média de funcionários nesses estúdios é de 8,5 pessoas, incluindo os sócios- fundadores.

Os principais produtos desenvolvidos no mercado de games atualmente são: game de entretenimento, game de educação, game para saúde, VR games (realidade virtual), serious games (treinamento e negócios), gameficação, outsourcing/terceirização, assets/ferramentas, advergames (publicidade), simulação e social games. As principais plataformas e tecnologias para desenvolver e disponibilizar os jogos eletrônicos são: mobile, computador, console tradicional, console portátil, VR, web, Google TV, Apple TV, Sistemas Educacionais e Netflix.

Os principais modelos de negócios são:

– Freemium – com patrocínio e propaganda, compras dentro do aplicativo, serviços de assinatura e/ou micro-pagamentos por itens virtuais;

– Parcerias com desenvolvedores (mais em serious games) – upgrades para contas Premium com conteúdo exclusivo.

O desenvolvimento do setor de jogos eletrônicos converge com as tendências tecnológicas. Atualmente no Brasil há uma grande discussão a respeito da implementação da TV digital e o seu impacto em termos de convergência tecnológica com internet, comunicação sem fios etc. Há um consenso de que interatividade será a palavra-chave para entender esse novo cenário de conteúdo digital. E interatividade é o nicho de mercado fundamental para a indústria de jogos. Nessa perspectiva, um novo campo será aberto para aplicações inovadoras envolvendo jogos eletrônicos. Explorar corretamente esta sinergia pode significar um importante caminho para as empresas desenvolvedoras de jogos no Brasil.

Perfil de usuários

O perfil do usuário brasileiro de games é, resumidamente: jovem (66% entre 16 a 34 anos), homens e mulheres (há equilíbrio entre os gêneros), com preferência por jogos de estratégia e aventura, gratuitos e em plataforma mobile. Mais informações podem ser obtidas na Pesquisa Game Brasil.

Por sua vez, as maiores ameaças são a pirataria e a dificuldade em obter visibilidade, dada a alta concorrência que ocorre em nível mundial. De acordo com a Abragames, os números totais de exportação das empresas participantes do evento Brasil Game Show apontam que o mercado de games brasileiro está no caminho certo para aumentar a presença e competitividade da indústria de games nacional. Em 2014, os estúdios exportaram US$ 1,5 milhão, e em 2015 o valor subiu para US$ 11 milhões. Os produtos exportados são jogos próprios, serviços de terceirização e consultoria. As empresas brasileiras estão inclusive, desenvolvendo produtos e serviços com tecnologia de realidade virtual e aumentada.

Entre os polos de maior destaque da indústria de jogos digitais estão os de São Paulo e Campinas, que cresceram à sombra da USP e da Unicamp, o Porto Digital de Recife, e outros espalhados por Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte e a região de Londrina e Maringá. Com a ampliação de cursos técnicos e superiores especializados em desenvolvimento de games, novos pólos surgem.

Parte 3: Localização

Link do guia original criado pelo SEBRAE em parceria com a ABRAGAMES

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